Boycott X Buycott

Num contexto de crise de credibilidade nas instituições governamentais, as pessoas vêm depositando cada vez mais confiança nas marcas para solucionar problemas que consideram importantes. Na pesquisa Edelman Trust Barometer 2020, 69% dos brasileiros entrevistados disseram não ter convicção de que nossos líderes atuais serão capazes de ter sucesso no enfrentamento dos desafios do país.


Para todo e qualquer indivíduo que vive numa democracia, existem inúmeras formas de protestar ou manifestar suas indignações. Enquanto consumidor, essas possibilidades incluem o boicote (em inglês, boycott) e o que é hoje chamado de “buycott”. Sem uma tradução específica em português, a palavra refere-se a “um tipo de protesto destinado a uma empresa ou país com padrões éticos duvidosos em que os consumidores compram os produtos de outra empresa ou país”.


O termo foi escolhido para nomear um aplicativo criado com o intuito de, segundo seu slogan, permitir ao usuário “votar com a sua carteira”. Com o Buycott, o consumidor escaneia qualquer código de barras e descubra informações sobre a empresa que o produz, verificando em tempo real se sua conduta atende a padrões éticos estabelecidos. O aplicativo também possui uma curadoria de campanhas dedicadas à exposição de práticas comerciais antiéticas que os usuários podem escolher apoiar. Em entrevista ao Global Citizen, o CEO da Buycott, Pardo, disse que o objetivo do negócio é “(...) permitir que você seja um agente democrático ao fazer compras”.


Seja através do boycott ou do buycott, fica clara a amplitude do papel do consumidor à medida que ele tem cada vez mais acesso à informação e poder de voz em suas mãos. Um estudo da IBM publicado este ano mostra que um terço de todos os consumidores deixará de comprar seus produtos preferidos se perderem a confiança na marca, e um terço dos consumidores já parou de comprar suas marcas favoritas de longa data no ano passado.