Racismo e o posicionamento das marcas

A onda de protestos nos Estados Unidos que eclodiu com o assassinato de George Floyd por um policial em Minnesota vem marcando presença em noticiários do mundo todo e expandindo o debate acerca da pauta racial. A comoção internacional se comprova pelo compartilhamento em massa de mensagens de indignação, inclusive com posicionamentos oficiais de diversas marcas. Mas, como o título de uma matéria da Harvard Business Review provoca, será que essas marcas estão realmente combatendo o racismo ou apenas falando sobre ele?


Dentro do universo do marketing de causa, existe um erro muito comum, que consiste na pressa das empresas em abraçar todas as causas - ou a “causa do momento” -, buscando associar-se à sua relevância e gerar brand-awareness. O problema é que, a não ser que a escolha da causa se dê baseada nos valores e alinhada às frentes de atuação específicas da empresa, acaba-se por comunicar um discurso infundado e sem autenticidade. A velocidade e quantidade de informação disponibilizada permite hoje que o consumidor saiba quando uma empresa realmente pratica aquilo que prega.


Em outras palavras, o posicionamento diante da questão do racismo pouco agrega na luta para erradicá-lo se a empresa não possui políticas internas anti-racistas, que incluem os aspectos de contratação e promoção, conscientização, empoderamento e proteção dos funcionários. A Just Capital fez uma análise de quais empresas americanas entre as 300 que mais geram empregos no país fizeram uma declaração em apoio ao movimento Black Lives Matter e se essas também foram transparente em relação às métricas de diversidade dentro do seu corpo de funcionários. 59 das 199 empresas que se posicionaram pelo movimento têm dados públicos suficientes para delimitar a quantidade de funcionários negros, asiáticos, latinos ou brancos e apenas 17 delas mostram informações que normalmente seriam encontradas em uma pesquisa EEO-1, o formato mais detalhado de divulgação demográfica nos EUA.


A consultoria Somar, responsável pelo Brands 4 Impact, assinou recentemente o manifesto Seja Antirracista, uma criação colaborativa entre o ID_BR - Instituto Identidades do Brasil, Sistema B e Capitalismo Consciente. O documento estabelece uma série de compromissos para o combate ao racismo, incluindo:


1. Publicar o número de pessoas negras em cargos executivos no Brasil na/da empresa no website

2. Traçar uma meta de quantos profissionais autodeclarados negros e negras a empresa se compromete a contratar anualmente

3. Dedicar horas exclusivas por mês em treinamentos voltados à educação racial no Brasil para os profissionais que trabalham na empresa

4. Apoiar empresas e projetos liderados por pessoas negras e ou ligados ao avanço da pauta antirracista no Brasil.


Incentivamos você, pessoa ou empresa, a também realizar sua assinatura e buscar outras formas mais efetivas de apoiar a causa. Fique à vontade para entrar em contato conosco e trocar sobre o assunto. Estamos juntxs.